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Cena de Django Livre

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Até onde um homem está disposto a ir para conquistar sua liberdade e salvar quem ama?

Django Livre (2012)

2h45

Faroeste é um gênero feito de códigos: o forasteiro, o duelo, a cidade pequena, a lei que chega tarde.

Django Livre usa todos eles — e depois vira cada um do avesso.

Nossa indicação desta semana é o faroeste de Quentin Tarantino, uma história de liberdade e vingança ambientada no sul dos Estados Unidos dois anos antes da Guerra Civil. Tem humor, tem tensão, tem diálogos que se esticam até o limite. E tem, no centro de tudo, um homem tentando recuperar a única coisa que lhe importa.

“O ‘D’ é mudo.”

A Premissa

Django é um homem escravizado que tem sua liberdade comprada pelo misterioso Dr. King Schultz, um caçador de recompensas alemão que precisa de sua ajuda para identificar criminosos procurados.

O acordo é simples: Django aponta os rostos, Schultz cobra as recompensas.

Concluída a missão, os dois formam uma parceria improvável e passam a atravessar o sul dos Estados Unidos juntos.

Mas Django tem um objetivo muito maior do que dinheiro: encontrar e libertar sua esposa, Broomhilda, das mãos do cruel proprietário de terras Calvin Candie.

Para resgatá-la, os dois terão de entrar em uma das plantações mais perigosas da região — um lugar onde qualquer erro custa a vida, e onde a mentira precisa se sustentar até o fim.

Por que esta indicação?

Tarantino nunca faz filme de época para reproduzir a época. Ele faz para reescrevê-la.

Aqui o alvo é a escravidão americana, tratada sem eufemismo nenhum: o filme mostra a brutalidade do sistema e depois entrega a arma ao homem que a sofreu.

A parceria entre Django e Schultz é o coração da história — dois estranhos que se respeitam antes de gostarem um do outro — e é ela que sustenta as quase três horas de tensão crescente até a plantação de Candie.

O resultado combina ação, humor, crítica histórica e algumas das melhores cenas de mesa já filmadas por Tarantino.

O que esperar

Faroeste em estado puro

Poeira, cavalo, chapéu e revólver. O filme leva a gramática do gênero a sério antes de subvertê-la.

Diálogos que valem por um duelo

Nas melhores cenas ninguém saca a arma.

A disputa acontece na conversa, e a tensão vem de saber que uma palavra errada encerra o assunto.

Uma vingança construída com paciência

Django Livre não tem pressa em chegar ao acerto de contas.

Ele constrói o motivo, cena após cena, até que a resposta pareça inevitável.


Sem Spoilers

Boa parte da força do filme está em como a farsa se sustenta — e em quando ela deixa de se sustentar.

Quanto menos você souber sobre o plano, sobre a plantação e sobre quem enxerga o quê, mais intensa será a experiência.

Entre sabendo apenas a premissa.

Conclusão

Django Livre rendeu a Tarantino o Oscar de roteiro original e a Christoph Waltz o de ator coadjuvante, e não é difícil entender por quê: é um filme em que cada conversa carrega peso e cada personagem tem exatamente o tamanho certo.

Mais do que um faroeste, é uma história sobre liberdade conquistada à força, sobre a coragem de voltar ao pior lugar possível por alguém, e sobre o prazer muito específico de ver um sistema violento receber de volta o que entregou.

Uma escolha obrigatória para quem gosta de grandes roteiros, personagens marcantes e filmes que equilibram brutalidade e humor sem perder o controle de nenhum dos dois.

Um faroeste explosivo sobre liberdade, vingança, coragem e a força de um homem determinado a recuperar tudo o que lhe foi tirado

Anotações

Uma por pessoa — o que ficou, escrito por quem assistiu

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